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Anch, escaravelho e olho de Hórus: os símbolos que se repetem nos puzzles egípcios

Quem joga puzzles com cenário egípcio acaba por ver os mesmos sinais em quase todos: uma cruz com uma argola no topo, um besouro de asas abertas, um olho com um traço em espiral por baixo. Não é coincidência. São símbolos com formas simples e fáceis de reconhecer em tamanho pequeno — exatamente o que um programador procura para uma peça, um ícone ou um objetivo de missão.
O anch, sinal de vida
O anch é um hieróglifo que se lia como a palavra egípcia para «vida». A forma — uma cruz em T com uma argola por cima — aparece em pinturas e relevos nas mãos de divindades, muitas vezes estendida em direção ao rosto do faraó, como quem oferece o sopro vital. Em Bubble Ancient: Pyramid Pop, o anch surge dentro das bolhas presas no topo do tabuleiro e recolhê-lo é um dos objetivos das missões.
O escaravelho e o sol da manhã
O escaravelho que rola uma pequena bola de terra pelo chão lembrou aos antigos egípcios o movimento do sol no céu. Daí nasceu Khepri, a divindade com cabeça de escaravelho associada ao sol nascente e à renovação diária. Amuletos de escaravelho, como o da fotografia, estavam entre os objetos mais comuns do Antigo Egito. Nos jogos, o escaravelho aparece no ícone de Cleopatra's Jewels, como lançador alado em Temple of Anubis e como Khepri, a proteger, nas missões de Bubble Ancient.
O olho de Hórus
O udjat, ou olho de Hórus, é um olho humano estilizado com as marcas do rosto de um falcão: uma linha que desce na vertical e outra que termina em espiral. Era símbolo de proteção, de saúde e de algo que volta a ficar inteiro, e foi usado em amuletos durante milénios. Em Gems Blast: Ancient Temple vê-se num obelisco que ocupa várias casas do tabuleiro; em Bubble Ancient decora medalhões redondos.
E os glifos maias?
Glyph of Maya pertence a outra civilização e a outro continente. A escrita maia combinava sinais que valiam palavras inteiras com sinais silábicos, agrupados em blocos quase quadrados. Os hieróglifos egípcios foram decifrados no século XIX; a escrita maia só foi lida em grande parte a partir da segunda metade do século XX. O jogo usa esses blocos como peças, com rostos estilizados em cores suaves, e por isso as duas escritas não se devem confundir.
Porque funcionam tão bem como peças
Um bom símbolo de puzzle precisa de silhueta clara, de funcionar numa só cor e de ser reconhecível a meio centímetro de largura. O anch, o escaravelho e o olho cumprem as três condições há mais de três mil anos. É por isso que, mesmo sem saber o que significam, qualquer jogador os distingue à primeira.